Doenças mortais: conheça as 5 infecções virais mais fatais do planeta

Imagem de capa com um homem vestindo uma máscara para protegê-lo de supostos perigos no ar ao fundo e o título "Doenças mortais: conheça as 5 infecções virais mais fatais do planeta" à frente.
Doenças mortais: conheça as 5 infecções virais mais fatais do planeta
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Veja quais são as doenças causadas por vírus com as maiores taxas de fatalidade, além das formas de contágio, os sintomas e se existem vacinas para preveni-las.

Alguns organismos são realmente especialistas em nos matar. Mas quais deles são os melhores nisso?

Nesta lista constam apenas doenças causadas por vírus — estruturas proteicas que envolvem ácidos nucleicos (como RNA), capazes de se multiplicar infectando outras células.

Vírus são parasitas intracelulares obrigatórios, ou seja, eles precisam necessariamente infectar células para replicar seu material genético.

Os vírus estão na Terra há milhões e milhões de anos e têm um arsenal enorme em termos de como infectar organismos vivos, podendo matá-los ou não.

As doenças listadas aqui são aquelas que apresentam maior taxa de fatalidade, que nada mais é que a porcentagem de pessoas infectadas por determinado vírus que acabam morrendo.

Para termos uma ideia, a gripe espanhola causada pelo vírus H1N1 matou cerca de 10 a 15% de todos os infectados. As doenças que comentaremos aqui têm uma taxa de fatalidade maior que 50%, o que significa que mais da metade de todos os infectados morreram.

5. Vírus NIPAH (doença do vírus Nipah)

Taxa de mortalidade média: 50%

Onde: geralmente Ásia.

Como nos infectamos com esse vírus: contato com secreções ou tecidos de morcegos, suínos, humanos ou pelo contato com alimentos contaminados com secreções e tecidos dos animais infectados.

Sintomas: desde infecção assintomática, febre, dores de cabeça e garganta, até infecção respiratória aguda e encefalite.

Há vacinas? Não há vacinas nem tratamentos específicos disponíveis. Há apenas tratamentos para diminuir a gravidade dos sintomas. A prevenção consiste em higiene pessoal e evitar locais com casos reportados da doença.

4. Vírus H5N1 (Gripe Aviária)

Taxa de fatalidade: 54%.

Onde: Ásia, Europa e África.

Como nos infectamos com esse vírus: contato com aves infectadas e com ambientes contaminados; a transmissão entre humanos é praticamente nula.

Sintomas: varia desde infecção do trato respiratório superior (febre e tosse), até pneumonia com estresse respiratório agudo.

Há vacinas? Oficialmente, não. A prevenção consiste em evitar locais com casos reportados da doença, higiene pessoal e conscientização sobre a saúde de aves de consumo humano.

3. Vírus Marburgvirus (febre hemorrágica de Marburg)

Taxa de fatalidade: 80%.

Onde: Europa e África

Como nos infectamos: geralmente com contato com morcegos infectados ou com os locais em que esses animais habitam, como minas e cavernas. A transmissão entre humanos ocorre facilmente devido ao contato com fluidos corporais, sangue, secreções e órgãos infectados.

Sintomas: febre alta abrupta, enxaquecas e mal-estar severos, pode haver dores musculares, diarreia persistente e hemorragias de múltiplas áreas em certos casos.

Há vacinas? Oficialmente, não. Mas há tratamentos para os sintomas da doença e ações sociais para interromper o ciclo de transmissão do vírus, como a conscientização sobre a forma de transmissão e o uso de preservativos.

2. Vírus ZEBOV (vírus da ebola do Zaire)

Taxa de fatalidade: 83%

Onde: geralmente África.

Como nos infectamos: via contato com sangue, secreções, órgão e outros fluidos corporais de animais infectados (incluindo humanos).

Sintomas: fadiga, febre, dor muscular, dor de cabeça e de garganta, vômitos, diarreia, indícios de problemas nos rins e fígado e em casos mais graves hemorragias internas e externas.

Há vacinas? Oficialmente, não — elas ainda estão em fases experimentais. Mas há tratamentos que procuram diminuir a gravidade dos sintomas e melhorar as chances de sobrevivência do indivíduo infectado após o diagnóstico correto.

1. Vírus Lyssavirus (vírus da raiva)

Taxa de mortalidade: 100%.

Onde: mundo todo, com exceção da Antártica.

Como nos infectamos: geralmente por meio do contato com a saliva de animais infectados. Os cães domésticos são os reservatórios mais comuns do vírus da raiva, já que 95% dos casos reportados da doença em humanos foram pelo contato com cães infectados.

Sintomas: desde febre, formigamento, paralisia, dificuldade em engolir água (o comumente, chamado hidrofobia) e dores repentinas.

Há vacinas? Sim, tanto para humanos quanto para animais, mas a vacina é preventiva, não curativa. Um dos problemas é que o vírus da raiva tem um longo período de incubação, ou seja, ele demora para se manifestar e o hospedeiro, a pessoa infectada azarada, leva um bom tempo até perceber que há algo de errado.

Todas essas doenças são zoonoses, o que significa que são transmissíveis por meio de contato com animais (incluindo seres humanos). Com a exceção da gripe aviária, são todas facilmente transmitidas de humano a humano.

O fato de serem todas zoonoses não indica que os vilões são os animais, mas sim os próprios vírus, que são os especialistas em se ligar ao material genético de animais (incluindo o nosso) e que podem sofrer mutações com muita facilidade e rapidez. As vítimas aqui são os próprios animais, sejam eles humanos, aves, cães, morcegos etc.

Nossas maiores armas contra os vírus são a vacinação, o desenvolvimento de novas vacinas e de tratamentos de cura cada vez mais eficientes, e, acima de tudo, a educação. O conhecimento sobre os vírus, suas formas de transmissão e os métodos para cura e prevenção é o que nos ajuda na guerra contra esses parasitas — e não contra os animais.


Para saber mais:

O canal SciShow é uma iniciativa de divulgação científica muito bem humorada, objetiva e descomplicada, feita por norte-americanos. Apesar de os vídeos serem em inglês, é um canal muito interessante.

Essas e outras informações sobre as doenças deste texto podem ser encontradas no site da Organização Mundial da Saúde e no site dos Médicos Sem Fronteiras, com informativos e dados atualizados sobre métodos de prevenção, cura, sintomas e muito mais:

Biólogo e professor, faz pós-graduação estudando biologia evolutiva. Escreve textos de divulgação científica para o Blog da Ciência. Acredita que o método mais poderoso para a solução de nossos problemas seja a Educação.

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